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01/07/2011

Protegido no Ninho de Deus

Até o pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, onde crie os seus filhotes, junto aos teus altares, ó Senhor dos exércitos, Rei meu e Deus meu. (Salmo84:3)





[Salmo para o cantor-mor, sobre Gitite. Salmo para os filhos de Corá]. 

Quão amáveis são os teus tabernáculos, SENHOR dos Exércitos! A minha alma está anelante e desfalece pelos átrios do SENHOR; o meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo. Até o pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si e para a sua prole, junto dos teus altares, SENHOR dos Exércitos, Rei meu e Deus meu.

Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvar-te-ão continuamente.

Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração estão os caminhos aplanados, o qual, passando pelo vale de Baca, faz dele uma fonte; a chuva também enche os tanques. Vão indo de força em força; cada um deles em Sião aparece perante Deus.

Senhor, Deus dos Exércitos, escuta a minha oração; inclina os ouvidos, ó Deus de Jacó! Olha, ó Deus, escudo nosso, e contempla o rosto do teu ungido.

Porque vale mais um dia nos teus átrios do que em outra parte mil. Preferiria estar à porta da Casa do meu Deus, a habitar nas tendas da impiedade
 (Salmo 84). 


O Salmo 84 é uma dessas peças delicadas, uma carta de amor ao lugar do encontro com Deus. Esse é considerado um dos "cânticos de Sião", salmos que exaltam Jerusalém e o templo. Aqui estão os elementos essenciais do culto, da comunidade, da vida cotidiana. Por isso, ele é apropriado para falar do que é (ou deve ser) a igreja, nesses tempos em que a fé se torna tão comercial e não há tempo para o essencial, "invisível aos olhos" (Saint Exupéry). É hora, portanto, de refletir sobre as emoções que o estar na casa de Deus deve nos provocar.



Apaixonado pelo templo, o "ninho de Deus" (v.1-3)

O salmo está organizado em três momentos (v.1-3; 4-7 e 8-12). Os primeiros versículos falam do estado de espírito do caminhante que chega a Jerusalém. Extasiado, diante do templo, ele fala do lugar de Deus como quem está apaixonado. Há Bíblias que trazem as palavras "amáveis" e "desejáveis" para referir-se aos tabernáculos. Termos de êxtase emocional aparecem: "a alma suspira e desfalece" e o "coração e a carne exultam". Fico pensando em quantas vezes a gente se sente assim ao se preparar para o culto. Antes, quando era domingo de ceia, por exemplo, a gente jejuava e orava durante o dia, aproximava-se da mesa com um misto de alegria e contrição, um respeito que beirava o terror de vez em quando, mas que gerava um friozinho bom na barriga: partilhar o corpo de Cristo! Tomar o cálice de suco de uva era como entrar no céu um pouquinho! Hoje em dia quantas vezes isso acontece de modo tão corrido que mal dá pra sentir o gosto do alimento, quanto mais da espiritualidade a que ele deveria nos conduzir! Lamentavelmente perdemos a paixão pela presença de Deus! Um avivamento genuíno, como tantos apregoam hoje em dia, deveria iniciar-se pela renovação do desejo de estar no templo. A fé tem sido privatizada. Muita gente se satisfaz em ouvir mensagens pela rádio e TV, ou comparecer apenas a concentrações e eventos comemorativos... O dia-a-dia da fé esvaziou-se da graça, da alegria e prazer de estar com Deus... É preciso voltar e redescobrir a paixão.

Como a sobrevivência dos pássaros está relacionada com a existência de um refúgio, nós também só conseguimos sobreviver quando encontramos o altar de Deus. É interessante que a descrição do salmista vai adentrando o templo. Ele suspira de alegria pelos átrios, do lado de fora da construção. Mas seu real lugar de refúgio era o altar, espaço das ofertas, da intercessão e do sacrifício. Para ter acesso ao altar, é preciso entrar no templo. Por isso no v.4 ele fala quase que com "inveja santa" dos sacerdotes. Eles eram felizes por estar a todo momento na casa de Deus! O peregrino morava em outras terras e tinha de vir a Jerusalém se quisesse estar no templo. Por isso, seu desejo era habitar na casa do Senhor... No quentinho ninho de Deus, onde haveria alimento, segurança... No altar, espaço de consagração, de reserva de si mesmo a Deus. Qual tem sido nosso desejo pelo altar? O que nos impulsiona para a vida da igreja? São perguntas para fomentarmos em nosso coração, em busca do desejo incontrolável de estar em comunhão com o Pai, no seu "ninho quentinho" de proteção, segurança e vida!




Espalhando bênçãos por onde passar (v.4-7)


O salmista também nos afirma que, para estar no templo, na comunhão dos fiéis, é preciso vencer as barreiras do caminho. Ele nos conta, na segunda parte do salmo, que o caminhante precisa ter sua força no Senhor. Uma outra tradução diz: "Felizes os que encontram em ti sua força ao preparar a peregrinação; quando atravessam vales áridos, eles os transformam em oásis, como se a primeira chuva os cobrisse de bênção. Eles caminham de fortaleza em fortaleza até verem Deus em Sião". Segundo Arthur Weiser, a caminhada se dava em busca de lugares seguros, para fugir dos perigos do caminho, até chegar ao templo de Deus. Na caminhada de nossa vida, devemos encontrar os lugares de refúgio que nos protegem até "vermos a Deus": a oração, a leitura bíblica, a comunhão fraterna, a celebração em unidade. E ainda: os que amam estar na casa do Senhor são capazes de transformar o caminho por onde passam. Muita gente hoje espera "tudo pronto" antes de servir a Deus. Se a igreja não serve, se as coisas não vão bem, logo procuram outro santuário. É nossa obrigação santificar onde estamos e não procurar que tudo esteja conforme nosso querer. É nossa obrigação transformar o deserto em manancial, pois somos portadores da viva esperança! Ao "prepararmos a peregrinação" em nossas vidas, é em Deus e não nas circunstâncias, que está a nossa força!



Um dia na casa de Deus (v.8-12)


O salmista conclui, com petições e ações de graça, sua estada diante de Deus. Podemos entender que este é, em si, o momento cúltico do salmo. O salmista olhou o templo por fora, sentiu-se impelido a ele, relembrou o percurso e seus desafios, pôs-se diante do altar e agora cultua! Ele pede que Deus o atenda, que abençoe o governante; exalta o poder divino; dá seu testemunho da ação de Deus na vida do justo e encerra com uma expressão de louvor. Sim, o culto é completo quando estamos envolvidos numa atmosfera de amor na casa de Deus. Só assim é possível, realmente, ver a Deus: na intimidade do ninho quentinho do Pai Celeste! Oxalá todos nós desejássemos assim viver e estar na Igreja, templo e povo, espaço de Deus e nosso!




2 comentários:

  1. Deus te abençõe que o senhor continue te usando sempre amém paz visite e siga meu blog ficarei muito feliz http://adoradorajoyce.blogspot.com

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